quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Um ano


Há um ano foi assim.
A esperança nos olhos de muitos. A mudança a caminho.

Um ano passou.
Esperamos...

(imagem descaradamente "roubada" de blog.thesate.com)

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

20 de Julho

O dia 20 de Julho é uma data carregada de esperança histórica.

Há 40 anos, um ser humano caminhou pela primeira vez num corpo celeste diferente daquele onde nasceu.

Há 65 anos, um outro ser humano, Von Stauffenberg, dava a sua vida ao tentar trazer um pouco de paz a esta Terra onde ainda teremos que habitar durante mais algum tempo.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Fado dos Contentores

Já ninguém parte do Tejo
Para dobrar bojadores
Agora olho e só vejo
Contentores contentores.

E do Martinho Pessoa
Já não veria o vapor
Veria a sua Lisboa
Fechada num contentor.

Por mais que busques defronte
Nem ilhas praias ou flores
Não há mar nem horizonte
Só contentores contentores.

Lisboa não tem paisagem
Já não há navegadores
Nem sol nem sul nem viagem
Só contentores contentores.

Entre o passado e o futuro
Em Lisboa de mil cores
O sonho bate num muro
De contentores contentores.

Por isso vamos cantar
O fado das nossas dores
E com ele derrubar
O muro dos contentores.

[Manuel Alegre, 04.03.2009]

quarta-feira, 4 de Março de 2009

No passa nada...

Ocorreram ontem graves acontecimentos na Guiné-Bissau.
Primeiro, um atentado à bomba vitima o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
Depois, um ataque armado à residência do Presidente da República resulta no assassinato de Nino Veira.

Hoje, a imprensa nacional e internacional, os correspondentes no território, todos noticiavam que o país estava calmo, que a população permanecia nas suas casas e que não se estava em presença de um golpe de estado.

De facto, não deixa de ser revelador que o assassinato da figura máxima do País nada mais provoque do que um encolher de ombros dos governados. Eles bem sabem o que se passa lá, dentro daquele país martirizado, entregue a lutas de gangs do narcotráfico em que é "olho por olho e dente por dente". 

Aparentemente, a morte de Nino Vieira mais não será do que uma ajuste de contas.
O povo retoma a sua vida, esperando pelo gang que se segue.
A democracia há muito que não passa por ali, apesar do ritual eleitoral que periodicamente mascara o País com um manto diáfano da liberdade e da legitimidade.

A comunidade internacional estrebucha, insiste nas eleições, mas pouco mais faz do que proteger a corrupção instalada e os seus responsáveis. Acaso não foi Nino Vieira, apesar de todos os seus crimes, recebido em Portugal como um refugiado político?

A UE e a CPLP são cúmplices, por inacção e omissão, dos crimes que se praticam na Guiné.
Diz-se que a Guiné é um Estado falhado. Mas teve ajuda e muita.

Os guineenses, esse bem sabem, 'no passa nada' para além da rotina habitual de sangue e morte.

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Descubra as diferenças

Começou uma nova série de ficção portuguesa na SIC intitulada "A Vida Privada de Salazar".
O actor e modelo Diogo Morgado personifica o ditador.
É a nossa oportunidade de revisitar velhos fantasmas e inventar novos mitos. 

A transformação da velha raposa, provinciana e autocrática, que obrigou os portugueses a viver durante quase meio século a sua visão de dignidade na pobreza, orgulhosamente sós, num esbelto mancebo, garanhão, sensual, por quem as donzelas suspiram assim que lhe põem as vistas em cima, pode bem ser o que necessitamos para vencer a crise e o nosso já crónico pessimismo.

O próximo passo será exumar o corpo e substituir o catavento que vegeta no Ministério das Finanças pela múmia. Talvez assim sejamos salvos... ALELUIA!

domingo, 8 de Fevereiro de 2009

2009 - Ano FUBAR

Dei-me conta de repente de que a actual conjuntura nacional e internacional não poderia ser pior.
Se pensarmos na Lei de Murphy, tudo o que de mau poderia acontecer já está diante de nós, e a uma velocidade galopante digna de um comboio desgovernado a caminho do fim da linha.
Senão vejamos...

1. Portugal é neste momento governado por um partido que detém a maioria absoluta no Parlamento. Este facto de per si não seria relevante, se o actual executivo, segurado pela dita maioria absoluta, não governasse de uma forma que raia a autocracia, rejeitando sempre os alertas e as objecções quer da oposição, quer da denominada sociedade civil.

2. Para além de rejeitar as opiniões externas, notícias recentes emanadas do interior do partido que detém o poder revelam que o debate interno também não existe, tendo sido substituído por um "clima de medo" e pelo "seguidismo e pela obssessão da fidelidade ao líder".

3. Como será fácil de constatar pelos desenvolvimentos noticiosos das últimas semanas (mas não só), o Governo e o seu líder governam para a propaganda, para mostrar obra feita, mesmo que a mesma ainda não esteja efectivamente feita, e seja obra ainda a fazer. Temos os exemplos do caso Freeport, do "relatório da OCDE", das organizações milionárias de eventos para mostrar a obra feita e a fazer, etc. 

4. A oposição encontra-se num estado dramaticamente letárgico. Independentemente do aparente crescimento dos partidos à esquerda, e que podem efectivamente "roubar" uma parte do eleitorado descontente ao partido do governo, uma oposição eficaz à direita, nomeadamente pelo maior partido da oposição, e o único que pode(ria) almejar ganhar sozinho umas eleições, é absolutamente vital para a saúde da democracia e para o salutar debate de ideias. Neste momento, a oposição à direita não é credível, se é que na realidade existe e não se encontra sequestrada dentro de um saco de gatos.

5. Estamos perante uma crise económica sem precedentes nas últimas décadas, pelo menos desde que Portugal aderiu à UE. A par da crise interna, vemos uma crise internacional, com o escalar estrondoso do desemprego a nível global, pelo que não podemos esperar que a conjuntura internacional e os "irmãos" espanhóis nos dêem uma boleia.

6. Por fim, estamos em ano de eleições ao cubo: europeias, autárquicas e legislativas.

Em conclusão, Portugal, enquanto atravessa um período de crise monstruoso, agravado pela pressão da crise internacional, está nas mãos de um Governo que rejeita qualquer debate externo e interno, governando para a propaganda e para as eleições que se que avizinham, enquanto a oposição se esgatanha numas catacumbas quaisquer.

Aliás, neste momento, o PM em vez de fazer aquilo para que foi eleito e para o qual é pago por todos os contribuintes, e que é governar e procurar soluções para a crise, anda a fazer campanha interna para as eleições.

Estamos pois efectivamente Fucked Up Beyond All Recognition.

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Melancolia

Há momentos, que se estendem por horas, às vezes dias, em que o absurdo da existência se abate sobre mim e vejo que não sou mais do que um grão de poeira cósmica à deriva no universo, e cuja consciência não consigo explicar atómica ou quanticamente.

Nesses momentos, a solidão e a vastidão do universo descem sobre mim, envolvendo-me num imenso buraco negro, despojando-me dos meus desejos, medos e ansiedades. E então, vejo claramente a inutilidade vã dos bens materiais com que vestimos as nossas existências e a inutilidade agri-doce das relações que tecemos.

E vazia, eu mesma um buraco negro, deixo-me ir qual grão de poeira vagueando no imenso universo, sem destino, sem rumo, sem sentido, mas ainda assim, buraco negro voraz de luz, à procura de um.