Dei-me conta de repente de que a actual conjuntura nacional e internacional não poderia ser pior.
Se pensarmos na Lei de Murphy, tudo o que de mau poderia acontecer já está diante de nós, e a uma velocidade galopante digna de um comboio desgovernado a caminho do fim da linha.
Senão vejamos...
1. Portugal é neste momento governado por um partido que detém a maioria absoluta no Parlamento. Este facto de per si não seria relevante, se o actual executivo, segurado pela dita maioria absoluta, não governasse de uma forma que raia a autocracia, rejeitando sempre os alertas e as objecções quer da oposição, quer da denominada sociedade civil.
2. Para além de rejeitar as opiniões externas, notícias recentes emanadas do interior do partido que detém o poder revelam que o debate interno também não existe, tendo sido substituído por um "clima de medo" e pelo "seguidismo e pela obssessão da fidelidade ao líder".
3. Como será fácil de constatar pelos desenvolvimentos noticiosos das últimas semanas (mas não só), o Governo e o seu líder governam para a propaganda, para mostrar obra feita, mesmo que a mesma ainda não esteja efectivamente feita, e seja obra ainda a fazer. Temos os exemplos do caso Freeport, do "relatório da OCDE", das organizações milionárias de eventos para mostrar a obra feita e a fazer, etc.
4. A oposição encontra-se num estado dramaticamente letárgico. Independentemente do aparente crescimento dos partidos à esquerda, e que podem efectivamente "roubar" uma parte do eleitorado descontente ao partido do governo, uma oposição eficaz à direita, nomeadamente pelo maior partido da oposição, e o único que pode(ria) almejar ganhar sozinho umas eleições, é absolutamente vital para a saúde da democracia e para o salutar debate de ideias. Neste momento, a oposição à direita não é credível, se é que na realidade existe e não se encontra sequestrada dentro de um saco de gatos.
5. Estamos perante uma crise económica sem precedentes nas últimas décadas, pelo menos desde que Portugal aderiu à UE. A par da crise interna, vemos uma crise internacional, com o escalar estrondoso do desemprego a nível global, pelo que não podemos esperar que a conjuntura internacional e os "irmãos" espanhóis nos dêem uma boleia.
6. Por fim, estamos em ano de eleições ao cubo: europeias, autárquicas e legislativas.
Em conclusão, Portugal, enquanto atravessa um período de crise monstruoso, agravado pela pressão da crise internacional, está nas mãos de um Governo que rejeita qualquer debate externo e interno, governando para a propaganda e para as eleições que se que avizinham, enquanto a oposição se esgatanha numas catacumbas quaisquer.
Aliás, neste momento, o PM em vez de fazer aquilo para que foi eleito e para o qual é pago por todos os contribuintes, e que é governar e procurar soluções para a crise, anda a fazer campanha interna para as eleições.
Estamos pois efectivamente Fucked Up Beyond All Recognition.